paisagem

Projecto de arte em trajecto ferroviário

As viagens de comboio em meio urbano são habitualmente acompanhadas de cenários de grafitti em viadutos, tuneis, estações, muros ou passagens superiores. É um território de particular interesse para os writers, são as linhas do suburbano, eixos que dão visibilidade e refletem uma cultura que vive para o momento.

As cidades norte-americanas desde há muito que lidam com esta realidade e a sua morfologia estendida configura intermináveis trajectos a explorar. Foi neste principio que surgiu o Psychylustro, uma iniciativa programada pelo Philadelphia’s Mural Arts Program e que conta com a participação da artista Katharina Gross que se destaca pela utilização de cores vibrantes e por uma fusão inovadora entre pintura, escultura e arquitectura. Ao todo são 7 intervenções no trajecto seleccionado. O percurso inicia-se na área consolidada e evolui por uma antiga zona de cariz industrial, utilizando armazéns abandonados e lotes expectantes, numa reflexão sobre a natureza mutável dos bairros.

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As instalações são temporárias e prevê-se que em alguns meses as tintas aplicadas desapareçam naturalmente. É um pouco o inverso dos trabalhos de VHILS, em que o tempo e a própria cidade moldam e enrugam os rostos criados por este artista. A viagem acaba por funcionar como uma ida a um museu em que as janelas funcionam como molduras de peças em movimento, estimulando uma paisagem e uma viagem da imaginação.

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mobiliario urbano, urbanismo

Stationsstraat – Remake de rua comercial

Sint-Niklaas é uma cidade do norte da Belgica conhecida pelo seu importante mercado e pela tradição industrial.  O centro tem em Stationsstraat a principal artéria que apresentava um cenário complexo resultante da grande diversidade de funções e do predomínio do automóvel. 

Numa recente intervenção, foram introduzidas zonas de estar, esplanadas, espaços verdes, arte pública, espelhos de água e iluminação cénica, proporcionando múltiplas formas de relação com a rua. O acesso automóvel foi condicionado – sem o banir e a circulação pedestre e ciclável bastante melhorada.

Intervenção/ projecto

O resultado final é um cenário contemporâneo, confortável, focado na sua utilização plena, demonstrando a importância do design urbano na qualificação de um ambiente comercial. Destaca-se o pavimento em granito e o nivelamento introduzido (similar ao de Kobmagergade Shopping Street) que atribui coerência entre os vários elementos e na relação destes com as montras e o edificado. 

Fotografia via Landzine

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comércio, consumidor

Moda sustentável – o despertar dos consumidores

A consultora TexSture divulgou o relatório The Better Consumer in Europe sobre as tendências e comportamentos da procura para o sector da moda. Destaque para a crescente preocupação dos consumidores com o impacto ambiental e social das suas compras de vestuário, calçado e acessórios.

O estudo conclui que uma larga maioria de consumidores faz compras responsáveis mesmo que isso signifique pagar um valor ligeiramente superior (até 20%) e aponta um factor critico para a concretização dessas escolhas: precisam de ter acesso a informação esclarecedora e credível. A certificação é apontada como o melhor meio, seguindo-se as reportagens nos média, rankings de entidades independentes, blogues e recomendação de familiares ou amigos. No contexto europeu, os Portugueses até nem são os mais cépticos – apenas 40% dos inquiridos demonstraram dúvidas relativamente às campanhas eco ou éticas das marcas, sendo a média europeia superior – 54%.

O relatório sublinha o crescimento contínuo das vendas de comércio justo neste sector, entre 2004 e 2011. É actualmente bastante relevante na Croácia, Roménia e Rússia, bem como em Portugal, Áustria e Suíça (pag. 7) e os consumidores preferem comprar estes produtos em lojas especializadas/ independentes em detrimento das grandes superfícies ou da internet.

O relatório revela ainda um dado curioso. Em 2011, o termo socially responsible products tinha 1,26 milhões de resultados no Google e em Fevereiro de 2013, atingiu 5,8 milhões de resultados.

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Do lado da oferta, as principais marcas de moda têm vindo a despertar para esta tendência, por um lado melhorando os seus padrões de sustentabilidade através de novos procedimentos, e por outro lançando coleções e campanhas publicitárias baseadas nestes valores. Por seu turno, as ONG’s internacionais  estão mais atentas. Lançaram recentemente a plataforma MeasureUp que avalia os comportamentos éticos de mais de 60 marcas. São 10 indicadores que retratam condições de trabalho, salários, códigos de conduta nas fábricas, transparência na comunicação ao público, etc. A classificação é simples: cumpre (verde), não cumpre (vermelho), a fazer progressos (laranja).

Tabela rint screen

Numa análise comparativa, a People Tree é a única empresa que cumpre todos os requisitos. Tem sido pioneira na moda sustentável, trabalha com comércio justo e artesãos de todo o mundo. Também pela positiva, destaca-se a Accessorize que cumpre 8 dos 10 indicadores em análise.

Um alerta à opinião pública é o indicador “Evidence of living wages” (salários). À excepção da People Tree, nenhuma outra pratica remunerações consideradas dignas por esta avaliação.

Comparando a Bershka, Mango, Massimo Dutti, Pull&Bear e Zara, verifica-se que estão bastante niveladas numa média de cumprimento de 7 dos 10 indicadores. No entanto, todas falham na questão dos salários, da divulgação das fábricas de produção e nos procedimentos tomados em casos de queixas de colaboradores. A Primark apresenta uma avaliação satisfatória, ao contrário da H&M que cumpre somente 6 indicadores, apesar da recente campanha Conscious Collection.

No segmento de luxo a situação é alarmante – insígnias como a Louis Vuitton, Mark Jacobs, Givenchy ou Fendi respeitam apenas 2 requisitos. Pior, só mesmo as britânicas Warehouse, Oasis, Coast, Aurora Fashion e Reiss que em Portugal não têm loja física.

Estes dados confirmam que o comportamento ético e ecológico é cada vez mais importante, mas que há um longo caminho a percorrer. Muitas marcas vão ter que ser mais responsáveis, sob pena de perderem quota de mercado. Assim dita a concorrência. Há cada vez mais empresas renovadas a lançar campanhas baseadas nestes bons comportamentos e há cada vez mais empreendedores a diferenciarem-se da oferta standard pela aposta em produtos ecológicos ou de comércio justo. Mas esse é um compromisso de toda a cadeia – lojas, designers, fabricantes e (por opção de compra) consumidores.

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arquitectura, arte pública, urbanismo

A regeneração de Blackpool

Blackpool é uma cidade costeira no noroeste da Inglaterra, com cerca de 140.000 habitantes e uma economia fortemente dependente do turismo. Desde o séc. XIX que a cidade prospera como principal destino de férias dos trabalhadores do Norte de Inglaterra, atraídos pelas praias e pelos inúmeros eventos e atracções, onde se inclui a Blackpool Tower (uma réplica da torre Eiffel inaugurada em 1894) e o Pleasure Beacho mais visitado Parque de diversões do Reino Unido.

Blackpool

Actualmente, Blackpool continua bastante popular entre os Britânicos mas sofreu uma acentuada quebra no número de visitantes – de 17 milhões em 1992 para 10 milhões (2011), resultado das melhores ofertas no exterior. Para inverter essa tendência, a aposta recaiu na transformação da frente ribeirinha através de um plano implementado nos últimos 7 anos, e que conjuga a protecção costeira com espaços de lazer, restaurantes/ cafés e arte pública. Foi refeita a escadaria até ao plano de água (muito similar à recém inaugurada Ribeira das Naus) e colocada uma estrutura recuada delimitando a margem de segurança.

Blackpool

Em termos de arte pública, a principal peça instalada foi o Comedy Carpet, um pavimento em granito com referências tipográficas da comédia britânica. Trata-se de uma homenagem mas também um palco de entretenimento para os habitantes e visitantes. Ao longo do restante passeio ribeirinho foram colocadas outras peças do tipo processual, em que o conceito da obra é adaptado especificamente à localização (site-specific art) e à interactividade com as pessoas.

Blackpool tem igualmente apostado na iluminação através da realização de vários festivais anuais (Firework Championships, Blackpool Iluminations, Ride the Lights). Mas destaca-se o equipamento colocado em 2009 na principal rua comercial da cidade – Birley Street. São seis arcos de aço inoxidável com projectores de luz e som embutidos que permitem uma variedade de efeitos. O projecto chama-se Brilliance Blackpool e é inspirado nas instalações luminosas de Freemont St em Las Vegas.

Apesar do forte impacto visual no conjunto edificado, é uma instalação ambiciosa e que traz um novo nível de estética contemporânea e diversão para a área central. Foi projetado para encorajar as pessoas a permanecer até a noite, para benefício dos restaurantes, cafés e clubes desta zona. O espéctaculo de luz e som – Birley lightshow ocorre a cada 10 minutos, com uma playlist elaborada pelos Pet Shop Boys (um dos membros do dueto é natural de Blackpool).

Com este conjunto de intervenções, Blackpool renovou a sua gama de ícones, elementos fundamentais para toda a rede de actores comunicar e promover o destino turístico. Por outro lado, assumiu projectos arrojados, na forma de instalações e arte pública que rejuvenescem a imagem da cidade, com mais cor e luz e novos focos de convívio. Por último, a estratégia seguida tem claramente uma direcção, reforçar a identidade costeira e aproximar as pessoas daquele que sempre foi o principal atrativo de Blackpool, o mar.

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informação geográfica, urbanismo

Onde se anda mais de bicicleta

A região Centro é atualmente líder na utilização de bicicletas como meio de transporte regular. Em termos absolutos e de acordo com os Censos de 2011, cerca de 16 mil pessoas usam diariamente o velocípede. A carteira, a preocupação com as questões ambientais e com a saúde são as explicações apresentadas. Outro aspecto essencial tem sido a aposta em ciclovias mas segundo testemunhos recolhidos neste artigo do DN, há muito trabalho por fazer.

Em termos económicos, os dados avançados são interessantes, estima-se que o sector da mobilidade empregue 2500 pessoas entre Coimbra e Gaia, em empresas de venda a retalho, de arranjo e também de actividades desportivas e lazer.

Recorrendo aos Censos de 2011, é também possível concluir que o Algarve apresenta dados animadores. Em termos relativos, é a 2ª sub-região com maior utilização das bicicletas como meio de transporte regular. Por concelhos, o índice é naturalmente dominado pelos municípios da região centro, nomeadamente do Baixo – Vouga, destacando-se na região Algarvia, o concelho de Vila Real de Santo António.

Ranking

Por região

Por concelho

 

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arquitectura, arte pública, design, eventos, urbanismo

Reabilitação azulejar

“Nos últimos anos tem-se assistido a um crescente investimento nos processos de intervenção e de reabilitação das áreas centrais e históricas das cidades, adoptando uma perspectiva de pretensão ampliada que atende tanto à reabilitação do património azulejar do edificado como à revitalização social, cultural e económica dos focos geográficos. Esta é uma tendência que cada vez mais se justifica, por se reconhecer que essas áreas históricas apresentam usualmente significativos sintomas de degradação do espólio azulejar, ao nível do espaço urbano e do edificado que a define, mas sobretudo porque essa deterioração surge com o envelhecimento, o empobrecimento e abandono progressivo das populações residentes, onde na maioria das vezes é acompanhada de decadência social e económica. Santos-o-Velho, em Lisboa, não difere deste diagnóstico, tanto do ponto de vista dos problemas que o afectam, quanto das soluções necessárias para estimular agentes públicos e privados, para o desenvolvimento de projectos predispostos para a recuperação da atractividade da área geográfica. O Santos Design District (SDD), atento às experiências desenvolvidas neste sector, reconhece que a reabilitação do revestimento azulejar do espaço urbano tem verdadeiramente que incentivar as intervenções de diversos agentes, que podem cooperar na melhoria do desempenho ao nível das respectivas funções habitacionais, económicas (comércio e serviços), mas também ao nível dos equipamentos culturais (museus, bibliotecas, galerias de arte, etc.) e ainda ao nível das funcionalidades de carácter social (centros de dia, centros de apoio à inserção de jovens, etc.), favorecendo a coesão e inclusão social, a integração e a igualdade de oportunidades para as diferentes comunidades que constituem Santos-o-Velho.

Com o objectivo de revitalizar e reabilitar o património azulejar existente na zona urbana de Santos-o-Velho, o SDD irá promover este ano a primeira edição do Concurso de Reabilitação Azulejar. Procurando incentivar, a nível nacional mas principalmente local, a importância dos processos de intervenção na regeneração das áreas centrais e históricas das cidades. Tomando-se como caso de estudo a zona de Santos-o-Velho, em Lisboa, pretende-se que os concorrentes reconstituam as permanências e as mutações da identidade azulejar do lugar e o seu impacto na vivência do espaço público, avultando a sua ligação com as práticas de reabilitação urbana. Este foco geográfico é um excelente exemplo, por ser tratar de um marco da capital portuguesa, que permite a existência e a vocação da zona como lugar de forte heterogeneidade arquitectónica, social e cultural.” in Santos Design District – Newsletter

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informação geográfica, urbanismo

Cidades inteligentes

Lisboa, Almada, Cascais, Aveiro e Vila Nova de Gaia são as cidades que se destacam no Top Global do estudo de Cidades Inteligentes 2020, elaborado pela Inteli, que mede o comportamento de 20 cidades em itens como governação, inovação, sustentabilidade, inclusão e conectividade.

Faro integra o Top da Conectividade pela aposta na dinamização de redes intermunicipais e do número de organismos públicos a partilhar aplicações no data centre. Outro aspecto importante foi a formalização das redes do Algarve Central e a constituição de uma plataforma tecnológica regional de sistemas de informação geográfica, o que facilitou a exploração de mapas municipais/regionais interactivos, ortofotomapas, roteiros turísticos, levantamentos cartográficos e cadastros de propriedades.

IBM TheSmarterCity

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comércio, informação geográfica

Empreendedorismo

O Programa Estratégico para o Empreendedorismo e a Inovação (+e+i) é um programa aberto à sociedade civil e que procura apoiar e estimular o empreendedorismo em Portugal através de instrumentos de apoio financeiro ou consultivo.

Actualmente estão abertas várias iniciativas, nomeadamente:- PASSAPORTE PARA O EMPREENDEDORISMO, que concede bolsas, mentoria e assistência técnica;- +EMPRESAS que disponibiliza financiamento para as várias fases do ciclo de vida das start ups;- PME DIGITAL que pretende ajudar as micro e pequenas e médias empresas portuguesas a serem mais competitivas ao estimular a utilização de ferramentas digitais.- VALE EMPREENDEDORISMO (+E), destina-se exclusivamente a empresas criadas há menos de um ano e apoia projetos que visam a aquisição de serviços de consultoria, nomeadamente, elaboração de planos de negócio, serviços para proteção e comercialização de direitos de propriedade intelectual e industrial e serviços na área da economia digital;

- VALE INOVAÇÃO (+I), apoia a aquisição de serviços de consultoria de inovação, abrangendo as seguintes atividades: consultoria de gestão, assistência tecnológica, serviços de investigação e desenvolvimento tecnológico, serviços de transferência de tecnologia, consultoria para aquisição, proteção e comercialização de direitos de propriedade intelectual e industrial e para acordos de licenciamento, consultoria relativa à aquisição de normas e serviços de ensaio e certificação;

Se tiver interesse poderá ainda consultar o GUIA PRÁTICO DO EMPREENDEDOR;

Estas e outras informações são disponibilizadas no site do Programa Estratégico para o Empreendedorismo e a Inovação (+e+i).
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comércio, lojas, novo urbanismo, urbanismo

Viadukt

Por norma, os viadutos são retalhos de malha urbana sem uso, inseguros e que escapam aos mapas mentais e perante a necessidade de consolidar centralidades e de reutilizar estruturas, projetos como o High Line ou o Boxpark ocupam estes espaços.

Viadukt

Também em Zurique e nas arcadas de um antigo viaduto ferroviário foi criado um projeto deste tipo. O Viadukt é um complexo comercial que estabelece a ligação entre uma importante zona residencial e uma antiga zona industrial e embora não tenha o aproveitamento paisagístico de High Line, tem um mix-comercial muito mais diversificado que BoxPark.

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20110906-180105-z893Este foi o primeiro ano em pleno funcionamento e o balanço parece ser positivo. São 30 lojas, um mercado coberto de produtos locais e alguns espaços verdes com benefícios para a economia de rua e para a interacção da população com esta área mais esquecida da cidade.

Viadukt

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comércio, eventos, lojas

Estamos na Baixa!

A FARO 1540 está a organizar a iniciativa “Estamos na Baixa!”, que visa encontrar soluções para os espaços comerciais disponíveis na Baixa de Faro e facilitar a abertura de novas lojas. A iniciativa conta com a colaboração da Câmara Municipal de Faro e da Associação de Desenvolvimento Comercial da Zona Histórica de Faro.

Esta é uma oportunidade para 5 empreendedores desenvolverem o seu projeto comercial em localizações privilegiadas do centro de Faro, com condições de arrendamento gradual e a preços de exceção durante 9 meses (Abril a Dezembro de 2013), entre outros benefícios que podem ser consultados no Regulamento da iniciativa.

A seleção dos projetos será realizada através de concurso, sendo que a inscrição é gratuita e destina-se a todos os cidadãos nacionais ou estrangeiros.

As candidaturas podem ser formalizadas até ao dia 25 de Janeiro de 2013, através do formulário disponível na Internet em <http://bit.ly/119yEb7>.

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novo urbanismo, urbanismo

Free City

As cidades assistem actualmente a uma aposta nas soluções de baixo custo, naquilo que se designou por Urbanismo Temporário ou Urbanismo Táctico, conceptualmente muito bem sintetizada no documento do Guggenheim Lab – 100 Urban Trends. São abordagens menos reguladoras, assentes em práticas bottom-up, facilitadoras da iniciativa privada e da cidadania, muitas vezes na base do ilegal act, etc. Neste contexto, a acção do Estado passou a centrar-se mais na gestão do que na construção propriamente dita, actuando sobretudo como dinamizador e não apenas como financiador.

No entanto, o pensamento urbanístico não se esgota aqui e no futuro próximo será necessário encontrar outro tipo de soluções. Convém pois, não perder de vista algumas propostas que vão surgindo.

Free City, por exemplo, é uma proposta de cidade nova, uma intervenção de larga escala, direccionada para os países sub-desenvolvidos potenciarem o seu crescimento e absorverem as altas taxas de população urbana. A  viabilidade deste modelo está dependente de um grande investimento público, sobretudo em terrenos e regulamentações económicas vantajosas para o capital privado.

É à primeira vista um total recall das utopias urbanas que filósofos, arquitectos e urbanistas procuraram desenvolver no inicio do séc XX para melhoria das condições de vida nas cidades industriais mas que raras vezes encontraram realização plena. O ressurgimento destas propostas não decorre só da imensa precariedade de algumas metrópoles. Numa recente entrevista, o mais reconhecido expert em sociologia urbana, Manuel Castels, fundamenta o surgimento de um novo paradigma social e económico que suporta a sua concretização. Castels defende que está prestes a emergir uma cultura económica alternativa, um novo tipo de capitalismo contra-cultura, evidente nos movimentos de protesto e em novas práticas empresariais que não aguardam pela revolução e que perspectivam uma sociedade organizada em rede, ao invés de organizações hierárquicas.  Free City, tal como nas cidades planeadas, vai de encontro a este modelo de sociedade e de economia – nova, livre e igualitária.

É um projecto de cidade com capacidade para 1 milhão de pessoas em pouco mais de 50 Km2. Absorve princípios do novo urbanismo, nomeadamente o policentrismo e os usos mistos. Do urbanismo temporário permanece o envolvimento dos cidadãos nos processos de planeamento, manutenção e dinamização da cidade.

A sua mega escala e o facto de ser planeada de raiz, permite introduzir e combinar os benefícios da malha radial, hexagonal, ortogonal, para um crescimento consolidado em todas as direcções.

Free City aposta em coberturas ajardinadas, energia solar e  integra um sistema de mobilidade sem carros. Os transportes públicos e respectivos pontos de paragem são disponibilizados segundo regras de equidistância, proporcionando um acesso nunca superior a 8 minutos a quem está a pé. Propõe ainda um urbanismo vertical inovador. A disposição dos vários elementos em altura é feito em camadas em vez de torres.

Pode não passar de um modelo ou protótipo de cidade mas tem princípios que se encontram com a mudança que se ambiciona. Citando Lamartine, as utopias não são muitas vezes mais que verdades prematuras, “…e é isso que dá aos nossos sonhos a ousadia: eles podem ser realizados.” (Le Corbusier)

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informação geográfica, urbanismo

Difusão da inovação

Um estudo publicado pela universidade de Oxford revela alguns dos factores associados à difusão da inovação, nomeadamente o papel decisivo das cidades. O exemplo utilizado foi a difusão da Imprensa Escrita de Gutenberg, considerada a principal invenção do período moderno e que teve origem em Maiz, Alemanha, por volta do ano de 1450.

Segundo conclui o estudo, o empreendedorismo e inovação surgem em lugares urbanos que têm fortes conexões e interacções entre indivíduos que detêm informação e conhecimento e que formam comunidades com relações e contactos com o exterior.

No mapa síntese, destaca-se Faro como uma das cidades pioneiras. Parte do mérito deve-se ao tipógrafo Samuel Gacon e à comunidade judaica da cidade que potenciou o ambiente distinto e notável para o primeiro livro impresso em Portugal (o Pentateuco em Hebraico em 1487). Por outro lado, deduz-se a existência de relações estreitas com Sevilha, a cidade que poucos anos antes teve a primeira oficina de impressão do Sul Peninsular.

Figure 6 (appears on page 72 of the book): “Diffusion of the movable-type printing press over time. From Dittmar. “Information Technology and Economic Change: The Impact of the Printing Press.” The Quarterly Journal of Economics 126, no. 3 (August 1, 2011): 1133-72, by permission of Oxford University Press.”

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comércio, design, lojas

Jardins da Alexandria

Era um antigo armazém industrial abandonado na periferia de Sydney. Foi transformado num espaço de restauração que aposta na produção caseira e em práticas biológicas, The Grounds of Alexandria. A decoração combina a estética industrial e rústico. Tijolos enegrecidos, madeira escura, armários em ferro, móveis brancos, decoração vintage, louças estilo campestre. Está nomeado para os prémios de design interiores australianos – IDEA. No jardim-esplanada promove os produtos da horta da casa.



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